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Chuva faz produtores perderem lavouras e preço das frutas e verduras sobe 83% - Na Bahia


As fortes chuvas que afetaram diversas cidades da Bahia nas últimas semanas de 2021 fizeram os preços das frutas, verduras e hortaliças aumentarem em todo o estado. Por conta das perdas dos produtos nas lavouras, o consumidor, por exemplo, já paga quase R$ 10 no quilo do tomate. De dezembro para janeiro, a fruta passou de R$ 8,98 – aumento de 10% nos mercados de Salvador.


Já no Centro de Abastecimento da Bahia (Ceasa), maior central de abastecimento alimentar a partir da agricultura no estado, essa alta foi de 55% para o tomate de primeira. No caso da manga e da beterraba, os preços subiram 62,5% no último mês, junto com o pimentão, 66%, e o umbu, que quase dobrou de preço, com um acréscimo de 83% no valor.


Alguns produtos, inclusive, estão em falta no estoque de alguns supermercados da capital. É o caso do pimentão e da cenoura, no G Barbosa, da cenoura, no Big Bompreço, e do umbu, no Hiper Ideal. O G Barbosa confirmou o desabastecimento em algumas unidades, mas acrescentou que seriam casos pontuais.

“Com a retomada da colheita, a expectativa é que o abastecimento seja regularizado a partir de amanhã [nesta terça-feira, 04]”, estima o supermercado, em nota. O Grupo BIG disse que era só um problema técnico no site e que o produto estaria disponível no fim do dia desta segunda-feira, 03.


Na feira de Barreiras, no Extremo Oeste da Bahia, o produtor rural Altemar da Costa Lima, também não viu pimentão nesta segunda (3). O preço da hortaliça está acima do normal: o saco de 12 kg, que ele encontrava por R$ 25, agora custa R$ 40 – 60% mais caro. O tomate, até tinha, mas com qualidade bem inferior.


Tomate de qualidade inferior


“Quem conseguiu colher tomate, foi com qualidade péssima, porque a planta fica toda deformada pelo excesso de chuvas, não tem condição de absorver. Além do que não teve sol esses últimos 30 dias e isso também influencia no desenvolvimento da planta”, explica Lima, produtor há mais de 40 anos na região. O feijão, que ele planejava completar 30 caixas para vender, só rendeu metade.


Em Irecê, no Centro Norte da Bahia, a produção de cebola e tomate foram as mais prejudicadas, seguidas das culturas de cenoura e beterraba. O produtor José Carlos Gomes Pereira, conhecido como Zé Carlos da cebola, estima que o prejuízo na localidade é superior a R$ 50 milhões, entre dezembro e janeiro.


“A região de Irecê é a maior produtora de cebola do Norte e Nordeste, vendemos para o Brasil todo. Se somar que deixamos de vender 600 a 700 mil sacos de cebola, mais 500 mil de tomate, mais 100 mil de cenoura, e 50 a 100 mil de beterraba, o prejuízo é muito mais que isso”, conta Pereira, produtor rural há 40 anos.


Dificuldade no plantio


Pior do que o prejuízo com a colheita, é a impossibilidade de plantar novas safras. “Estamos tendo dificuldade porque a gente não consegue plantar e colocar outro produto no campo. Não vamos ter condição de repor”, alerta José Carlos.


A lavoura do tomate, segundo ele, foi 80% jogada fora. Já a da cebola, 60%. Com isso, a tendência é os preços aumentarem no próximo mês. “Estamos plantando 20% do que era para plantar, porque a chuva não deixa. Então, os preços vão subir muito ainda, sem dúvida”, prevê.


Na lavoura de Elielton Barreto, produtor orgânico há 10 anos em Ibipeba, no Centro-Norte, são mais de quatro toneladas em perdas com cenoura, cebola, beterraba, alface, coentro, melancia e outros produtos. Somados, o produtor deixou de ganhar R$ 15 mil. “Só tenho condição de oferecer mamão e aipim e um pouco de cenoura. Nunca tínhamos passado por isso, porque aqui é sempre seca”, relatou Barreto.


Para o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária da Bahia (Faeb), Humberto Miranda, as plantações de milho, feijão, mandioca, mamão e melancia das regiões Sudeste, Sul e Extremo-Sul do estado também foram afetadas pelos temporais.


“A maioria dessas plantações ficava em terrenos baixos, às margens ou próximas dos rios para facilitar o processo de irrigação. Então, com as cheias, elas foram destruídas. Os produtores perderam tudo. Ainda estamos avaliando o tamanho do prejuízo”, afirmou. Ele conta que a Faeb distribuiu 25 mil cestas-básicas e comprou R$ 150 mil em colchões, água, cobertores e outros materiais para ajudar os produtores desabrigados.


Prejuízos imensuráveis


O chefe de gabinete da Secretaria de Desenvolvimento Rural da Bahia (SDR), Jeandro Ribeiro, menciona ainda estragos na região de Jaguaquara, Poções e no Vale do Jiquiriçá, principalmente, na zona rural. Como algumas comunidades ainda estão ilhadas e com falta de acesso por conta de quedas de pontes, ainda não é possível mensurar os prejuízos. O mesmo foi dito pelo governo estadual.


A prioridade, por enquanto, é escoar produtos. “Vamos priorizar a retomada das vias de acesso, das estradas, para a produção poder entrar e sair da propriedade. Agora, esse é o maior desafio para, depois, saber quanto foi o prejuízo”, esclarece Jeandro Ribeiro.


Ribeiro acrescenta que houve um benefício para os cerca de 120 a 150 mil agricultores que conseguiram o crédito com o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf): as datas de vencimento foram prorrogadas, automaticamente, por mais 12 meses. O Pronaf financia projetos individuais ou coletivos que gerem renda aos agricultores familiares e assentados da reforma agrária, com baixas taxas de juros.


Seagri cria grupo de trabalho


A Secretaria da Agricultura do Estado (Seagri) criou, na última sexta-feira (28), um grupo de trabalho para coletar informações e acompanhar os impactos causados nos municípios atingidos pelas chuvas. O objetivo é também construir um plano de ação para atender as regiões mais afetadas.


Com a autorização do Governo do Estado, a Seagri iniciou um processo de compra, em caráter de urgência, de cerca de 90 equipamentos que serão entregues a prefeituras municipais e consórcios. O investimento nas máquinas – rolos compactadores, retroescavadeiras, motoniveladoras e caminhões pipa – é de R$ 55 milhões e servirá para minimizar prejuízos dos produtores rurais, como abertura de estradas.


A Secretaria enfatiza ainda ter aderido à campanha “Bahia Estado Solidário” para arrecadar doações e distribuir entre os desabrigados das chuvas. Além disso, a pasta busca disponibilizar linhas de crédito para produtores rurais.


Assim como a SDR, não há, ainda, estimativa de perdas. “Ainda não é possível mensurar, pois é muito recente, no entanto, já foi possível identificar que as perdas foram nas culturas de ciclos curtos, no extremo Sul; hortifrutigranjeiro, na região de Jaguaquara; e na cadeia produtiva do leite, pela impossibilidade de levar a produção para os laticínios porque as estradas estão intransitáveis”, explica a secretaria, por meio de nota.


Pecuária afetada


A cidade de Macarani, no Centro-Sul, além de problemas de escoamento, perdeu a área de pastagem dos animais e o estoque de alimento deles para o período da seca. “A pastagem, nas partes mais baixas, onde o rio ficou cheio por um período maior, esse pasto não recupera agora, assim como reserva de alimento dos animais, programada para ser usada n período de escassez das chuvas”, diz o secretário de agricultura e pecuária de Macarani, Selmo Miranda.


No sítio do empresário José Roberto Fiorese, no povoado de Barreiras Norte, no município de Barreiras, o prejuízo foi de mais de R$ 300 mil. Ele investia há dois anos nos produtos da fazenda, como peixes, porcos e ovelhas. “Tinha planos de, com esse dinheiro, fazer uma nova fábrica de carretas agrícola”, lamenta Fiorese.


Durante as chuvas, 137 porcos dele morreram, além de 16 mil peixes de 1 kg. Ele ainda plantava milho, melancia, abóbora e mandioca. “Ficou tudo debaixo d’agua e tive que soltar os porcos e ovelhas na parte alta, para eles não morrerem afogados”, acrescenta.


A Associação Baiana de Supermercados (Abase) disse que não tem informações da Seagri sobre o assunto. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) foi procurada, assim como a prefeitura de Ilhéus, mas não respondeu até o fechamento desta matéria. A prefeitura de Teixeira de Freitas informou que não havia perdas significativas. Já a Secretaria de Desenvolvimento Econômico (SDE), responsável pela Ceasa, informou que as informações seriam com a Seagri.


Variação de preço Ceasa (03/12/2021 a 03/01/2022)


Goiaba: de R$ 70 para R$ 80 (caixa de 24 kg) Manga: de R$ 40 a R$ 45 para R$ 45 a R$ 65 (caixa de 22 kg) Melão: R$ 1,80 para R$ 2,00 (kg) Morango: R$ 18 a 22 para R$20 a R$ 25 Umbu: de R$ 120 para R$ 220 (saco de 50 kg) Beterraba: de R$40 para R$ 65 (saco de 20 kg) Cebola: de R$50 para R$ 60 (saco de 20kg) Cebola roxa: de R$ 85 para R$ 90 (saco de 20kg) Cenoura: de R$ 35 a R$ 55 para R$ 60 (saco de 20kg) Pimentão: R$ 30 a R4 35 para R$ 50 (caixa de 8 a 10 kg) Tomate extra: de R$ 90 a R$ 110 para R$ 140 (caixa com 20 a 22 kg) Tomate de primeira: de R$ 90 a R$ 110 para R$130 (caixa com 20 a 22 kg) Tomate rasteiro: de R$ 85 a R$ 90 para R$130 (caixa com 20 a 22 kg) Tomate de segunda: de R$ 65 para R$70 (caixa com 20 a 22 kg)

Hiper Ideal Tomate 9.99/kg Cebola 5,98 kg Cenoura 7,99/kg Pimentão 7,99/kg Alface crespa 4,59

G Barbosa Tomate 9,63 kg Cebola 4,99/kg Cenoura – em falta Pimentão – em falta Alface crespa – R$ 3,75

Bompreço Cebola – R$ 6,09/kg Cebola Roxa – R$ 13,50/kg Pimentão vermelho ou amarelo – R$ 23,99/kg Alface – R$ 3,59 Cenoura – em falta

Fonte: Correio.

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