
O treinador de jiu-jítsu Bruno Leonardo Reis de Souza, 42, conhecido como Bruno Formiga, é acusado de assédio sexual por duas alunas de sua academia, a Escola Bruno Formiga de Jiu-Jítsu, no bairro da Tijuca, no Rio de Janeiro. Uma delas, maior de 18 anos, também o acusa de estupro.
A outra, uma adolescente, além da denúncia de assédio contra Formiga, também acusa de estupro o lutador Cauã Magalhães Amaral. Em abril, a Justiça concedeu medida protetiva em favor dela contra o lutador e o treinador.
O processo corre em segredo de Justiça e está na fase de investigação policial. A Folha teve acesso a boletins de ocorrência com os detalhes das acusações. Procurada por e-mail na terça-feira (29) e na quarta-feira (30), a Polícia Civil não respondeu.
O caso veio à tona na última semana de agosto, quando a aluna de 17 anos usou as redes sociais para denunciar Formiga e Amaral, a quem ela atribui a função de instrutor. Eles teriam cometido os abusos quando ela tinha 16 anos.
A defesa dos dois acusados, feita pelo advogado Pedro Santiago, nega as acusações e critica a exposição pública, afirmando que os fatos estão sendo distorcidos nas redes sociais e na mídia.
O ponto em comum no depoimento das duas ex-alunas é a forma como Formiga supostamente as tratava durante os treinamentos em sua academia.
As denúncias dizem que ele simulava movimentos técnicos de jiu-jítsu, como imobilizações, para encostar o órgão genital no corpo das alunas.
Também há denúncias de que ele supostamente lambia a orelha e os seios das alunas, encostava os genitais no rosto e batia nas nádegas delas com a faixa diante de outros alunos.
A suposta vítima de 26 anos afirma que ele chegou a levantar a blusa dela em uma confraternização, deixando seus seios à mostra.
Ela afirmou ter sido estuprada por Formiga em uma viagem para São Paulo, em maio de 2025, quando a equipe ficou hospedada em uma casa alugada na zona sul.
Contou à polícia que teria consumido balas de maconha e bebida alcoólica levadas pelo treinador. Quando foi se deitar, em estado de embriaguez, ele a teria estuprado. No outro dia, o treinador teria comprado uma pílula do dia seguinte para ela tomar.
Ainda segundo os depoimentos, quando reclamavam de seus atos, ele dizia se tratar apenas de brincadeiras. Na insistência, afirmaram, ele passava a boicotá-las e desacreditá-las na academia.
O medo de ser boicotada e retirada das competições é o que levou a aluna adolescente a suportar os casos de abuso, segundo ela afirmou à polícia.
Além das acusações contra Formiga, ela também denunciou o instrutor Amaral por estupro em duas ocasiões.
Na primeira, em dezembro de 2025, ele supostamente a levou ao banheiro feminino da academia e a estuprou com a porta trancada. Um atleta teria testemunhado esse momento e, além de contar para o pai da menor, confirmou em depoimento à polícia.
Em janeiro deste ano, em uma viagem para um torneio em Portugal, o treinador teria determinado que a menor dormisse na mesma cama de Cauã em uma noite. Ela afirma ter sido coagida a manter relações sexuais com ele por medo de represálias.
O pai da adolescente disse à polícia que havia consentido com a viagem sob a promessa explícita de Bruno de que homens e mulheres ficariam em alojamentos separados.
Disse ainda que somente ficou sabendo do que aconteceu depois que a filha passou a ficar trancada em casa, recusando-se a ir à escola e com compulsão alimentar, o que a fez engordar 10 kg em três meses.
Após tratamento psicológico, ela contou o que aconteceu, e os pais fizeram a denúncia na delegacia no início de fevereiro.
Em notas enviadas à Folha nas quais nega as acusações, o advogado Pedro Santiago afirma que as alunas realizaram vazamentos seletivos de informações que correm em segredo de Justiça, omitindo provas e depoimentos que favoreceriam os acusados no inquérito policial. A reportagem não teve acesso a esses documentos.
"Tal lamentável postura contribui para a formação, perante a opinião pública, de uma percepção distorcida e nebulosa dos fatos, acompanhada da condenação social antecipada de um indivíduo que, após seis meses de investigação, não foi indiciado pela autoridade policial, não foi denunciado pelo Ministério Público, não foi condenado pelo juízo criminal, em relação às imputações que vêm sendo divulgadas como se constituíssem verdades já estabelecidas", disse Santiago.
O defensor também afirmou que Cauã não é instrutor da academia, como está sendo tratado na acusação, mas, sim, um atleta. E que as relações sexuais que teve com a menor de idade teriam sido em comum acordo. Ele diz que testemunhas já depuseram na delegacia com essa versão dos fatos.
A família da adolescente pediu medidas protetivas contra Formiga e Amaral, que foram concedidas em abril pelo juiz João Zacharias de Sá, da 1ª Vara Especializada do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, após manifestação favorável do Ministério Público.
A decisão foi baseada na Lei Henry Borel, segundo a qual não é necessária a comprovação do crime para a emissão das medidas. Basta a existência de uma situação de risco comunicada em uma acusação de violência contra criança ou adolescente.
O juiz destacou no documento que a lei inverte o ônus probatório. Ou seja, o suposto agressor precisa comprovar que não houve a prática ou o risco de violência.
"Trata-se de medida de alcance estritamente protetivo, que, sob certo ângulo, também beneficia os próprios requeridos, ao afastar qualquer possibilidade de contato que pudesse ser interpretado como nova tentativa de influência, pressão ou intimidação sobre a adolescente, resguardando sua posição no curso das investigações", disse o magistrado. Noticias ao Minuto



Eleita deputada estadual com quase 2 milhões de votos, Eduarda Campopiano (PL) chegará à Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) tendo como uma de suas principais bandeiras justamente o combate ao feminismo.
Aos 23 anos, a parlamentar já afirmou que o feminicídio "não existe", posicionou-se contra a criminalização da misoginia e promete atuar para dificultar o acesso ao aborto.
Campopiano recebeu 1.956.238 votos nas eleições de domingo (4), tornando-se a candidata a deputada estadual mais votada de São Paulo em 2026. A votação foi a segunda maior da história para uma cadeira na Alesp, atrás apenas de Janaína Paschoal, que ultrapassou os 2 milhões de votos em 2018.
A ascensão foi rápida. Em 2024, Campopiano havia sido eleita vereadora de Praia Grande, no litoral paulista, com apenas 3.583 votos. Dois anos depois, multiplicou exponencialmente seu eleitorado e conquistou uma cadeira na maior Assembleia Legislativa do país.
"Eu não acho que feminicídio seja algo que exista"
A oposição ao feminismo ocupa posição central no discurso político de Campopiano. Ela própria já se apresentou como "a maior inimiga das feministas de São Paulo".
Uma das declarações que mais provocaram repercussão ocorreu durante um debate com a deputada federal Fernanda Melchionna (PSOL), quando a então vereadora discutia uma proposta de criminalização da misoginia. "Eu não acho que feminicídio seja algo que exista", afirmou Campopiano.
A parlamentar defende que crimes desse tipo possam ser tratados como crimes passionais. Ao mesmo tempo, afirma ser favorável à existência de agravantes quando um homem utiliza sua superioridade física para agredir uma mulher, mas sustenta que a regra deveria ser aplicada também a outras situações semelhantes.
O feminicídio, porém, é uma categoria prevista na legislação brasileira para homicídios de mulheres motivados por violência doméstica e familiar ou por menosprezo ou discriminação à condição de mulher.
"Sou antifeminista. E não vou dar para trás"
Campopiano não trata o antifeminismo apenas como uma posição pessoal. O tema se tornou uma das principais marcas de sua atuação política e de sua presença nas redes sociais.
"Sou antifeminista. E não vou dar para trás", declarou durante um debate.
Em outra ocasião, apresentou-se de forma ainda mais explícita: "Sou do PL, sou uma mulher conservadora, antifeminista".
Depois de conquistar quase 2 milhões de votos, Campopiano afirmou à Folha de S.Paulo que pretende manter esse posicionamento durante seu mandato na Alesp.
"A guerra tá só começando", disse ao falar sobre o confronto político que pretende travar com parlamentares feministas.
A deputada eleita também rejeita a ideia de que conquistas individuais de mulheres devam ser atribuídas ao movimento feminista.
"Todo mérito que qualquer mulher conquista, as feministas tentam usurpar para elas. Eu discordo disso, eu acredito que o mérito é individual", afirmou.
Aborto também será alvo do mandato
O aborto é outra das pautas que Campopiano pretende priorizar na Assembleia Legislativa.
A deputada eleita defende a vida desde a concepção e diz que pretende atuar para que mulheres desistam de interromper uma gravidez. Também se posiciona contra propostas de parlamentares feministas que considera "absurdas".
Entre os exemplos citados por ela está a proposta de criminalização da misoginia, tema que tramita no Congresso Nacional.
Embora Campopiano vá exercer um mandato estadual, e mudanças na legislação penal sejam competência do Congresso, ela afirma que pretende usar sua atuação política para combater o feminismo e pautas relacionadas ao movimento.
Armas para mulheres
Nem todas as propostas de Campopiano relacionadas às mulheres envolvem retirar ou rejeitar políticas específicas. Na área de segurança, por exemplo, ela defende que mulheres tenham acesso ao porte de armas de fogo como instrumento de proteção.
A parlamentar argumenta que uma mulher armada teria melhores condições de se defender de situações de violência doméstica e urbana.
Campopiano também se posiciona contra o reconhecimento da prostituição como profissão e contra políticas de cotas raciais.
Declaração sobre feminicídio provoca reação
As declarações da deputada eleita sobre feminicídio ganharam nova repercussão depois das eleições.
Nesta segunda-feira (5), a jornalista Adriana Araújo, âncora do "Jornal da Band" e da BandNews FM, se emocionou ao comentar as posições da parlamentar.
A apresentadora classificou como "gravíssima" a declaração de Campopiano sobre a inexistência do feminicídio e argumentou que esse tipo de discurso ignora a realidade enfrentada por vítimas de violência contra a mulher.
"Enquanto ela repete esses bordões que viralizam nas redes sociais e nos grupos de ódio às mulheres, mulheres reais estão sentindo dor na pele", afirmou Adriana.
A jornalista também destacou que movimentos organizados por mulheres participaram historicamente da conquista de direitos políticos que hoje permitem que Campopiano ocupe um cargo eletivo.
Das redes sociais à votação histórica
Maria Eduarda Campopiano Monteiro nasceu em Campinas, em 22 de julho de 2003, e começou a produzir conteúdo político nas redes sociais aos 18 anos.
Antes de disputar eleições, participou de programas de debate e integrou equipes de comentaristas. Em 2024, concorreu pela primeira vez a um cargo público e foi eleita vereadora de Praia Grande aos 21 anos.
Sua projeção nacional foi construída principalmente nas redes sociais, com conteúdos direcionados ao público conservador e discussões sobre feminismo, aborto, gênero, segurança pública e costumes.
Dois anos depois de conquistar 3.583 votos para vereadora, Campopiano chegou a 1.956.238 votos na disputa pela Alesp. Noticias ao Minuto


Dandara Ferreira, cineasta baiana conhecida por ter codirigido o filme de ficção sobre a trajetória de Gal Costa, “Meu Nome é Gal”, esteve no “Desculpa Alguma Coisa”, videocast apresentado por Tati Bernardi.
O episódio foi ao ar no dia 30 de setembro e, nele, a diretora falou sobre os bastidores da produção do filme, sua relação com a cantora e detalhou outros projetos de sua carreira, como o documentário que retrata o período do impeachment de Dilma Rousseff, “Anatomia do Caos”.
Entre diversas histórias, a cineasta falou sobre um momento inusitado durante a produção do longa sobre uma das vozes mais marcantes da música popular brasileira, Gal Costa. Dandara relata que o filme demorou cerca de cinco anos para acontecer e explica que, em um certo dia, estava na companhia de Caetano Veloso e, na ocasião, fez a “ponte” para os dois cantores se falarem ao telefone, algo que não acontecia há um tempo, já que os dois artistas não se falavam mais com tanta frequência.
“Coincidentemente, eu estava com Caetano nesse dia. A Gal me mandou uma mensagem de texto, e eu respondi: ‘você não sabe com quem que eu tô’”, disse a diretora, afirmando que logo depois a voz de “baby” a questionou de quem ela estava falando. Dandara explicou para a cantora que estava com Caetano Veloso, perguntando se podia telefonar para Gal, ao que a cantora disse que sim.
A diretora, então, fez uma chamada de vídeo, levando, logo depois, o telefone para Caetano. “Aí eu levei até onde Caetano estava, e eles começaram a se falar. Eu olhava para um, olhava para o outro. Eu falei: ‘Cara, eu que tô proporcionando isso’”, disse Dandara. “Eles não se falavam fazia um tempo; a gente acha que são melhores amigos, mas não se falam hoje em dia”, explicou.
Dandara finalizou dizendo que já fazia muito tempo que a dupla não se falava e que ficaram bastante emocionados de estarem se falando naquele momento.
A soteropolitana Gal Costa foi um dos maiores nomes da música brasileira, transitando entre diversos gêneros e estilos musicais. A artista foi uma das principais vozes do Tropicalismo, movimento musical brasileiro do final dos anos 1960, que também contou com outros artistas baianos, como Caetano Veloso, Gilberto Gil e Maria Bethânia. A cantora faleceu em novembro de 2022, aos 77 anos, em decorrência de um infarto agudo do miocárdio. BN


















