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Aumenta o registro de casos de violência sexual contra crianças e adolescentes no Disque 100

Foto do escritor: Vandinho
Vandinho
19 de mai. de 2023
2 min de leitura

No maior hospital pediátrico do país, que fica em Curitiba, os registros de violência sexual contra crianças e adolescentes aumentaram 64% nos últimos 10 anos. Só em 2022, em média, um caso desse tipo foi atendido por dia no hospital.


Os profissionais são treinados para identificar sinais de abuso. A primeira suspeita surge, geralmente, quando o relato do adulto que acompanha a criança não bate com o resultado dos exames.


“A primeira coisa é a gente examinar essa criança e ver se a história que a pessoa está contando é compatível com os exames que a criança está apresentando. Então, tem uma história de queda de cama, ela é compatível com 4, 5 fraturas?”, diz Rosane Moura Brasil, coordenadora do Serviço Social do Hospital Pequeno Príncipe. A equipe médica também avalia outras marcas físicas de violência.


“Hematomas, equimoses, arranhões, queda de cabelo, emagrecimento excessivo, uma higiene inadequada ou até o uso de vestimentas inadequadas”, explica a psicóloga Daniela Carla Prestes.


A partir daí, os casos são levados ao Conselho Tutelar e à polícia. As vítimas e as famílias recebem acompanhamento de psicólogos, médicos e assistentes sociais. Muitas vezes, o esforço é para interromper a rotina de abusos e preparar as crianças para se proteger de agressões.


O Disque 100, da Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos, registrou, nos primeiros meses de 2023, um aumento de 68% nas violações sexuais contra crianças e adolescentes. A maioria acontece dentro de casa.


Muitas vezes, a escola é o único lugar em que crianças e adolescentes se sentem seguros para contar que estão sendo vítimas de violência. A conversa com amigos, professores e diretores acaba se transformando em pedido de socorro, e eles precisam estar prontos para ajudar.


Em uma rede de escolas no Paraná, os educadores recebem orientações periódicas e material de suporte para lidar com histórias de abusos que os alunos trazem de forma espontânea. Sempre na confiança.


“Estar sempre atento ao que tá acontecendo e escutar, porque, às vezes, é uma frase que ele solta que a gente pode identificar que alguma coisa não está legal”, afirma a educadora Marina Vatte. Eles, que têm a missão de educar, também aprendem a ouvir e a estender a mão.


“A escola acaba se tornando um espaço tão propício para essa prevenção, para essa conversa que às vezes não vai acontecer em casa, quanto para esse momento que é identificar um adulto da minha confiança, com quem eu posso falar sobre o que está acontecendo”, diz a pedagoga Cecília Heleno.

Conteúdo G1 / Jornal Nacional




 
 
 

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