Cuidados paliativos precoces podem aumentar a sobrevida de pacientes com câncer
- Vandinho

- 8 de jan.
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Os cuidados paliativos são definidos pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como uma abordagem multidisciplinar voltada à promoção da qualidade de vida de pacientes e familiares que enfrentam doenças que ameaçam a vida.
A prática tem como objetivo prevenir e aliviar o sofrimento em todas as suas dimensões — física, emocional, social, psicológica e espiritual — por meio da identificação precoce, avaliação contínua e tratamento adequado dos sintomas.
Estudos científicos recentes indicam que, quando iniciados logo após o diagnóstico, os cuidados paliativos não apenas melhoram a percepção de Bem-Estar, como também podem aumentar a sobrevida dos pacientes, contrariando a ideia equivocada de que esse tipo de cuidado está restrito aos momentos finais da vida.
“O paciente com efetivo controle dos sintomas físicos, emocionais, psicológicos, sociais e espirituais vive mais. Cuidado paliativo não é falar sobre morte. É falar sobre a vida, sobre aquilo que ainda faz sentido, que importa, que conecta e que dignifica cada dia vivido”, afirma a médica intensivista Isabela Schiffino, especialista em Cuidados Paliativos da Oncologia D’Or.
Medicina Paliativa ainda é pouco conhecida no Brasil
Apesar de sua relevância crescente, a Medicina Paliativa ainda é desconhecida por parte da população. A área foi reconhecida oficialmente pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) há cerca de 15 anos e passou a integrar a grade curricular dos cursos de Medicina apenas em 2022. O objetivo é formar profissionais aptos a atuar em equipes multidisciplinares, sempre fundamentados nos princípios da bioética previstos no Código de Ética Médica.
Evidências científicas reforçam os benefícios dos cuidados paliativos
Com o avanço das pesquisas, os cuidados paliativos se tornaram objeto de estudos científicos de grande impacto. Uma pesquisa publicada no Journal of the American Medical Association (JAMA) acompanhou 144 pacientes com câncer avançado que não estavam em fase terminal e não eram elegíveis à quimioterapia.144 pacientes com câncer avançado que não estavam em fase terminal e não eram elegíveis à quimioterapia. Os resultados mostraram que aqueles que receberam dez ou mais intervenções paliativas apresentaram sobrevida superior a dois anos em comparação aos pacientes que não tiveram acesso a esse tipo de cuidado.
“Os cuidados paliativos são como um guarda-chuva numa tempestade, formada pelos desafios da doença, do tratamento e pelas incertezas do futuro”, compara Isabela Schiffino.
Atuação integrada de equipes multidisciplinares
Para enfrentar essa “tempestade” de forma individualizada, os cuidados paliativos contam com uma equipe multiprofissional, composta por médicos, enfermeiros, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, nutricionistas, assistentes sociais, farmacêuticos, terapeutas ocupacionais e capelania. Cada profissional contribui, dentro de sua especialidade, para estratégias de enfrentamento que beneficiam tanto o paciente quanto seus familiares.
Um estudo norte-americano que avaliou 151 pacientes com câncer metastático de pulmão de não pequenas células revelou dados expressivos: apenas 16% dos pacientes submetidos aos cuidados paliativos apresentaram depressão, contra 38% no grupo que recebeu tratamento convencional. A qualidade de vida também foi superior, com pontuação média de 98 pontos na Escala de Avaliação Funcional da Terapia do Câncer de Pulmão, frente a 91 pontos no grupo controle.
Cuidados paliativos no tratamento do câncer
O câncer é uma das principais causas de morte no Brasil, ficando atrás apenas das doenças cardiovasculares. Em 2024, o país registrou 266.692 óbitos relacionados à doença. Diante desse cenário, a Medicina Paliativa tem papel fundamental na Oncologia, especialmente quando aplicada de forma precoce.
“A antecipação dos cuidados paliativos impacta diretamente na qualidade do tratamento oncológico, reduzindo, por exemplo, a sobrecarga de atendimentos emergenciais para controle de sintomas físicos, emocionais e sociais”, explica Isabela Schiffino.
A médica destaca ainda a importância da comunicação empática com o paciente:
“Muitos acreditam que a equipe médica desistiu do tratamento. Mas esclarecemos que seguimos torcendo pela recuperação e, independentemente do desfecho, o paciente e seus familiares estarão sempre acolhidos e assistidos”.
Estudos internacionais comprovam melhora na qualidade de vida
Um estudo belga com 186 pacientes com câncer avançado e expectativa de vida estimada em até um ano reforçou os benefícios dos cuidados paliativos precoces. Os participantes foram divididos em dois grupos: um recebeu cuidados paliativos sistemáticos desde o início, enquanto o outro seguiu apenas com o tratamento oncológico padrão.
Após 12 semanas, a avaliação da qualidade de vida — baseada no questionário da Organização Europeia para a Pesquisa e Tratamento do Câncer (EORTC) — mostrou que o grupo com cuidados paliativos alcançou 61,98 pontos, superando os 54,39 pontos do grupo controle.
Oncologia D’Or: referência em cuidado integral ao paciente
A Oncologia D’Or atua por meio de uma rede com mais de 60 clínicas em 12 estados brasileiros e no Distrito Federal. A instituição conta com um corpo clínico formado por mais de 500 especialistas em oncologia, radioterapia e hematologia, além de equipes multiprofissionais altamente qualificadas.
Em integração com os mais de 79 hospitais da Rede D’Or, a Oncologia D’Or oferece um modelo de cuidado integral, personalizado e baseado nas práticas mais modernas da medicina integrada, garantindo agilidade, segurança e excelência em todas as etapas do tratamento oncológico — do diagnóstico à recuperação.





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