Empresário que não fez doação oficial indica caixa 2 para Crivella em 2016.


Em mensagens obtidas pelo MP-RJ (Ministério Público do Rio de Janeiro) em aplicativos de conversa no celular, o empresário Rafael Alves —pivô de suposto esquema de corrupção conhecido como "QG da Propina"— diz a diversos interlocutores ter sido o "maior investidor" da campanha que levou Marcelo Crivella (Republicanos) à Prefeitura do Rio em 2016. Dados do TSE analisados pelo UOL mostram contudo que Crivella não recebeu nenhuma doação oficial de Rafael Alves em 2016.
O doleiro Sergio Mirzahy —que relatou a existência do QG da Propina em delação premiada— afirmou ao MP que os recursos que diz ter lavado para Alves em 2016 foram usados na campanha de Crivella. Entretanto, o MP-RJ ainda não obteve provas de que esse dinheiro tenha sido usado para despesas eleitorais e sustenta que possa ter sido empregado para outros fins ilícitos.
O pré-candidato à reeleição pelo Republicanos, que arrecadou R$ 9,66 milhões na campanha de 2016, nega que o empresário tenha feito doações naquele ano.
A legislação eleitoral determina que todas as doações a campanhas eleitorais sejam registradas na prestação de contas entregue à Justiça Eleitoral. Repasses feitos fora da contabilidade oficial das campanhas configuram crime de caixa 2.
Por ser crime eleitoral, casos de suspeita de caixa 2, como o de Crivella, podem dar origem a ações penais na Justiça Eleitoral após investigação conduzidas por um promotor eleitoral.
De acordo com a investigação, o suposto esquema criminoso teria sido iniciado durante a disputa eleitoral, com a arrecadação de propina junto a empresários a título de "adiantamento".




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