Jorge Pato: um craque dos gramados da região cacaueira sul baiana; confira
- Vandinho

- há 26 minutos
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*Por Samio Cassio, Albione Souza e Alexandre Ferreira
Com destacado porte físico, cabeceio preciso, chute potente e velocidade nos arranques, Jorge Pato driblou preconceitos, superou adversidades e conquistou a torcida de Ipiaú.
Entre o final dos anos 1970 e meados da década de 1990, seus gols e jogadas memoráveis no estádio Pedro Caetano deixaram uma marca indelével na memória da cidade.
RESUMO
Hábil com perna direita e a perna esquerda, eximio cobrador de faltas com efeitos, cabeceios precisos e cruzamentos perfeitos, Jorge Oliveira Santana, o Jorge Pato, construiu sua história no campo e na vida. Pato, uma apelido que, no início, feriu sua persona, mas que ele aprendeu a ressignificar, transformando-o em símbolo de talento, coragem e pertencimento.
Sua habilidade extraordinária chamou atenção de grandes clubes — Flamengo, Atlético Mineiro e Sergipe — mas foi em Ipiaú que ele deu suas maiores alegrias: defendendo o Temão, o Ipiaú, conquistando torcedores da seleção de Ipiaú e brilhando em outros clubes amadores da cidade e da região, além de uma passagem rápida pelo Fluminense de Feira.
Cada drible, cada passe e cada chute carregavam mais do que técnica: carregavam histórias de classe, de raça e de identidade, refletindo o homem que se impôs em sua comunidade, mesmo quando a vida tentava marcar-lhe impedimentos.
Jorge Pato não apenas jogava futebol; ele jogava a vida, com talento, resistência e memória — cruzando limites, inspirando gerações e deixando gols eternos na lembrança dos torcedores.
Este texto apresenta a trajetória histórico-biográfica de Jorge Oliveira Santana, o Jorge Pato, contextualizando sua vida no município de Ipiaú, localizado no Território Médio Rio das Contas, sul da Bahia.
Até o final da década de 1980, a região vivia o esplendor da lavoura cacaueira, com grande produção e preços elevados (ROCHA, 2005, p. 5). Contudo, pessoas pretas, pardas e periféricas permaneciam à margem das riquezas geradas pelos pés de cacau.
Na década de 1970, Ipiaú vivenciou efervescência cultural, religiosa, política e artística. A cidade foi administrada por Salvador da Mata, da ARENA, e depois pelo populista Hildebrando Nunes Rezende, do MDB, que, segundo Magalhães (2017, p. 150), vivenciou o auge e a queda de sua influência política nesse período.
Paralelamente, o futebol brasileiro conquistava seu tricampeonato mundial em 1970, usado pelos governos da ditadura civil-militar para promover ufanismo nacional (SCHMULLER; SCHMIDT, 2020, p. 08).
Ipiaú também refletiu essa efervescência futebolística. Em 1972, a cidade conquistou pela primeira vez o Campeonato Intermunicipal e repetiu o feito em 1977, quando Jorge Pato se destacou. Segundo Castro (2018), “Ipiaú sagrou-se bicampeão do Intermunicipal.
Roberto, Litinho, Pedrito, Sapatão, Boca de Pia, João Velho, Carlinhos, Dadá, Jorge Pato, Cesar Véi e Gajé foram os atletas da campanha vitoriosa”.

A pesquisa sobre Jorge Pato evidenciou que fatores raciais, econômicos e de classe, combinados, limitaram sua visibilidade em âmbito nacional.
A metodologia da História Oral, com entrevistas semiestruturadas com ex-companheiros de equipe, permitiu-nos analisar suas experiências e cruzamentos sociais que possivelmente impediram maior ascensão no futebol.
Mesmo assim, seu legado no cenário local e regional permanece significativo, servindo de inspiração para novas gerações.
Historicamente, o sul da Bahia respirava futebol com a mesma intensidade que respirava cacau: equipes amadoras como o Temão, o Ipiaú Futebol Clube e o Independente Esporte Cultura desfilavam talento e disciplina, com estruturas que muitas vezes superavam clubes profissionais do Campeonato Baiano.
Foi nesse cenário vibrante que Jorge Oliveira Santana, nascido em Itapetinga, em 31 de agosto de 1957, começou a traçar sua história. (mais…)








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