Mandetta acusa Pazuello de facilitar o espalhamento da variante amazonense da Covid-19.


Ex-ministro da saúde, o médico Luiz Henrique Mandetta falou sobre a condução do presidente Jair Bolsonaro e do ex-ministro Eduardo Pazuello em relação a pandemia do coronavírus. Em entrevista a José Eduardo hoje (19), durante o Jornal da Bahia no Ar da Rádio Metrópole, Mandetta afirmou estar preocupado com a situação do Brasil: “O que nós estamos vivendo agora, ai na Bahia e em todos os estados, é um quadro no sistema que a gente chama de caos”.
Segundo Mandetta, o cenário brasileiro se encontra em péssimo estado devido a atuação sem planejamento aparente do presidente e de seu ex-ministro general. “O presidente falou: ‘resolve Manaus, tá morrendo gente sem oxigênio’. Ele (Pazuello) vai lá, pega os pacientes de Manaus, bota no avião e leva um pouco para cada capital brasileira. Ele pegou a cepa, a variante, que eles não estudaram, e eles implantaram uma muda em cada capital. (…) Eles implantaram essa doença em todo território nacional.”, afirma o médico. Quando era ministro da saúde, Mandetta coordenou a preparação para a primeira onda da pandemia: “Eu redimensionei a rede nacional de oxigênio para aquele momento”.
Mandetta ainda afirma que a cooperação entre os ministérios da saúde e da economia, no início da pandemia, nunca existiu. Além disso, comentou sobre a decisão do governo de não adquirir as vacinas assim que surgiu a oportunidade.
“Se a gente administrasse, e o ministro da economia dele tivesse o mínimo de humildade para sentar com o ministro da saúde para trabalhar junto, a gente ia administrando a crise da saúde e econômica – compraríamos com certeza, não deixaria de comprar essas vacinas em hipótese nenhuma – e nós já teríamos virado a página”, disse o ex-ministro da saúde.
Para o ex-ministro, é possível que o Brasil sofra boicote de outros países. “Quando você tem muita transmissão de vírus, você cria a possibilidade de ter uma cepa, uma variante, como as pessoas chamam. A variante é quando o vírus muda o DNA dele para tentar sobreviver. E se tiver uma variante que seja resistente a vacina, e esse mundo todo fazendo esse esforço para vacinar, passando esse perrengue todo, e essa variante for aqui no Brasil, e o Brasil for o responsável por fazer o mundo voltar para a estaca zero, eu não sei como é que vai ser o julgamento do mundo não. Mas eu acho que esse mundo vai vir aqui buscar ele (Bolsonaro)”.
Para Mandetta, se a vacinação ocorresse com maior agilidade, o impacto econômico seria muito menor. “Cada dia que você fica fechado e o mundo fica aberto, na economia, o seu empobrecimento, a sua distância é maior”, disse Mandetta.
Ao final da entrevista, o médico aconselhou: “Tem algumas coisas que você pode fazer, que não custa nada, não custa dinheiro. Lave as mãos seis a oito vezes ao dia. Use a inteligência, se você precisa ir no mercado, não vai com seus filhos, vai uma pessoa só, faz a lista, compra e volta pra casa. Não aglomera (…), não se meta em aglomeração, fica de dois a três metros das pessoas. Essa distância já vai salvar milhares de vidas. E, tendo a oportunidade, vacina!”, concluiu. Fonte: Metro1




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