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Opinião: Um calo “Master” no pé de Jaques Wagner; confira

  • Foto do escritor: Vandinho
    Vandinho
  • há 2 horas
  • 3 min de leitura
Foto: Roque de Sá/Agência Senado
Foto: Roque de Sá/Agência Senado

Até há alguns meses, o senador Jaques Wagner (PT) não era só candidato a reeleição como também era considerado um dos favoritos na corrida.


Tanto que o PT e o governo, ao invés de pensar em abrir espaço para uma sigla aliada, bancaram o nome dele e o do também ex-governador Rui Costa (PT) em uma chapa “puro-sangue”, completada pela tentativa de reeleição de Jerônimo Rodrigues (PT).


Todavia, o escândalo do Banco Master se tornou uma pedra no sapato de Wagner ao ponto de pairarem dúvidas sobre ele ser imbatível no processo eleitoral de outubro.

 

O ex-líder do governo Lula nega qualquer implicação legal com o escândalo. Sequer consegue enxergar problema moral no fato de ter pedido apoio de Augusto Lima, sócio de Daniel Vorcaro, para comprar um apartamento de luxo na capital baiana.


Só que, desde que Wagner emergiu como um potencial dano colateral da investigação, o senador não deixa o noticiário nacional, com reflexos também na imprensa baiana. E, por mais que o entorno dele tente fazer acreditar que não houve ranhura na imagem do ex-governador, é improvável que Wagner passe ileso a esse turbilhão ao qual foi tragado.

 

O episódio do pedido de compra do apartamento a Augusto Lima já havia sido mal explicado. Por mais que haja uma relação, é difícil encontrar uma amizade que implique o risco de R$ 2,5 milhões apenas como um “apoio”.


Ou talvez seja necessário que revisemos nossos círculos de amizade. Desde que eclodiu a narrativa, em meio a uma fase da Operação Compliance Zero, Wagner naturalizou o episódio e não se privou de responder. A justificativa, entretanto, pareceu constrangedora, ao mesmo tempo em que foi incapaz de causar rubor na face dele.

 

Agora, a venda de um terreno com valorização de 115 vezes em Camaçari é a estrela dos holofotes contra o senador. Tratada como “palhaçada” pelo próprio Wagner, a investigação do Master bloqueou bens que estavam em processo de venda do ex-governador.


Um apartamento também de luxo no Corredor da Vitória, no valor de R$ 10 milhões, e um terreno ao lado do novo empreendimento do Grupo City, em Camaçari, no valor de R$ 15 milhões. Ambos, segundo o próprio senador, vendidos dentro da mais absoluta legalidade.

 

No entanto, o terreno à margem de uma rodovia concebida pelo próprio Wagner enquanto governador e supervalorizado após um acordo envolvendo o Grupo City, o governo da Bahia e o município de Camaçari (ora sob administração do petista Luiz Caetano), se torna um incômodo para quem está às vésperas de retornar às urnas.


Na pior das hipóteses, os adversários podem argumentar advocacia administrativa para manchar a relação do senador com o eleitorado. Na melhor, vão jogar na disputa que Wagner tem muito a explicar, com dezenas de perguntas não respondidas a serem exploradas durante a campanha.

 

É claro que isso não coloca Wagner como um azarão para a reeleição. Ele, ao lado de Rui Costa, ainda mantém certo nível de favoritismo, dado o recall eleitoral, o uso da máquina estadual e federal e a própria história construída a partir do mito do responsável pela derrocada do carlismo em 2006.


Contudo, achar que tudo isso não passa de uma marolinha é dar chance ao ocaso. E, convenhamos, nem Wagner nem o PT parecem estar dispostos a correr esse risco. BN


 
 
 

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