“Sou estranho mesmo”, diz Messi ao falar de rotina, solidão e família
- Vandinho
- há 51 minutos
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Lionel Messi deu uma longa entrevista nesta terça-feira ao canal de YouTube LUZU TV e falou com franqueza sobre carreira, escolhas pessoais, relação com a seleção argentina, vida nos Estados Unidos e planos para o futuro.
Em tom tranquilo, o craque explicou por que não se arrepende de ter deixado o futebol europeu para jogar no Inter Miami, no segundo semestre de 2023, após o fim do contrato com o Paris Saint-Germain.
Segundo Messi, a mudança para os Estados Unidos representou uma virada importante na sua rotina e no bem-estar da família. Ele contou que hoje vive com muito mais calma do que na Europa e que o futebol, embora importante, não ocupa o centro da vida cotidiana como acontecia em Barcelona.
“Aqui tudo é mais tranquilo, é um estilo de vida muito americano. O futebol não é tratado como a coisa mais importante do mundo. Em Barcelona era diferente, eu vivi lá a vida inteira. As pessoas já me conheciam, eu frequentava sempre os mesmos lugares, tinha uma rotina muito marcada. Agora estamos muito mais focados nas crianças”, explicou.
Messi disse que, embora não saia tanto, sente prazer no dia a dia em Miami. O clima, o calor e a forma como as pessoas encaram a vida contribuem para essa sensação. “As pessoas têm outra energia, parece que tudo é leve. Para mim, o cotidiano aqui é muito bom”, afirmou.
O craque também relembrou um dos momentos mais difíceis da carreira: a decisão de anunciar a saída da seleção argentina em 2016, após mais uma derrota em final de Copa América. Ele contou que aquele período foi extremamente doloroso, principalmente pela forma como era tratado na Argentina.
“No Barcelona eu era muito feliz, era a minha casa. Mas quando ia para a Argentina, parecia um estranho. As coisas não funcionavam, eu jogava mal, os resultados não vinham. Quem mais sofria era a minha família, porque eles viam as críticas na televisão. Eu nem acompanhava tudo”, revelou.
Messi admitiu que se arrependeu profundamente de ter renunciado à seleção. Disse que assistir aos jogos de fora foi angustiante e que aquele episódio acabou se tornando uma lição de vida.
“Quando achei que não dava mais, me arrependi muito. Felizmente pude voltar atrás. É o melhor exemplo de não desistir”, afirmou. Em 2022, ele encerrou esse ciclo de frustrações ao conquistar a Copa do Mundo no Catar com a Argentina.
Ao falar da vida pessoal, Messi descreveu a si mesmo de forma direta e até bem-humorada. Disse que gosta de ficar sozinho e que precisa de momentos de silêncio para se equilibrar. “Sou estranho mesmo. Gosto de ficar sozinho, de ter o meu momento. Em casa, com três meninos correndo, chega uma hora que cansa”, contou.
Ele reconheceu que tem dificuldade para lidar com mudanças inesperadas e que é uma pessoa muito organizada. Quando algo foge do planejado, costuma se fechar. Segundo ele, quem mais consegue tirá-lo desse estado é Mateo, seu filho do meio. Messi também afirmou que não é alguém que fala facilmente sobre sentimentos ou problemas e que tende a guardar tudo para si.
O argentino contou que chegou a fazer terapia enquanto jogava no Barcelona, mas que, depois de um tempo, decidiu parar. Hoje, disse que conversa bastante com o pai sobre futebol e divide a vida pessoal principalmente com a esposa, Antonela Roccuzzo.
Ao final da entrevista, Messi falou sobre o futuro e deixou claro que não se imagina como treinador após a aposentadoria. Para ele, a carreira já superou tudo o que sonhou quando era jovem.
“O futebol me deu muito mais do que eu imaginava. Quando parecia impossível, vieram os títulos com a seleção, que era o que eu mais queria”, disse. Depois da Copa América e do Mundial de 2022, ele passou a enxergar a carreira como algo completo. “Tudo o que vier agora é lucro.”
Sobre o que pretende fazer quando parar de jogar, Messi revelou um desejo diferente do caminho tradicional dos ex-jogadores. “Não me vejo como técnico. Gostaria de ser dirigente, mas, se pudesse escolher, preferia ser dono de um clube”, afirmou.
Ele explicou que sonha em começar um projeto do zero, ajudando jovens jogadores a se desenvolverem. “Gostaria de ter meu próprio clube, fazer crescer, dar oportunidade para os garotos. Isso é o que mais me atrai”, concluiu. Noticias ao Minuto




