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Vorcaro pagou R$ 400 mil ao mês e bônus a agentes da PF por informações sigilosas

Foto do escritor: Vandinho
Vandinho
18 de jun.
4 min de leitura
Foto: Reprodução
Foto: Reprodução

Henrique Vorcaro, pai do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, repassava mensalmente R$ 400 mil ao agente aposentado Marilson Roseno da Silva para obter informações de investigações sigilosas, segundo relatório da Polícia Federal. Roseno é apontado como o responsável por criar um mecanismo de vazamento interno na corporação.

 

Segundo as investigações, Roseno ofereceu pagamentos via Pix, presentes e uma gratificação de fim de ano —descrita como "oferenda" de Vorcaro— para recrutar servidores da ativa da PF. Assim, ele cooptou o agente Anderson Wander da Silva e a delegada Valéria Vieira. 


Também integrariam o esquema dos policiais federais aposentados Sebastião Monteiro Júnior e Francisco Pereira da Silva, além de um terceiro agente da ativa não identificado. 


A infiltração garante a Henrique e Daniel Vorcaro acesso a dados bloqueados em sistemas internos, como o e-Pol, onde são registrados os inquéritos em curso. Foi por meio desse esquema que o ex-banqueiro obteve um mandado de prisão contra si e o repassou a um site jornalístico com o objetivo de antecipar a informação e utilizá-la em sua defesa. 


A reportagem venceu a defesa de Henrique Vorcaro, mas não obteve retorno até a publicação desta reportagem. Também tentei contato com Marilson Roseno da Silva, hoje em prisão preventiva, mas as ligações não foram atendidas. A reportagem não localizou a defesa do policial aposentado, que atuou em causa própria nos litígios anteriores. A defesa de Daniel Vorcaro disse que não comentou. 


Por determinação do STF (Supremo Tribunal Federal), os policiais federais aposentados Sebastião Monteiro Júnior e Francisco Pereira da Silva, o Chicão, além do agente da ativa Anderson Wander da Silva, foram alvos de mandados de prisão preventiva. Na mesma operação, a delegada Valéria Vieira Pereira da Silva foi afastada de suas funções no cargo público. 


COMO ROSENO RECEBIA DINHEIRO 


Segundo a PF, os pagamentos a Roseno eram mascarados como prestação de serviços da própria empresa, a Roseno & Ribeiro Gestão Empresarial Ltda. Parte dos valores passados ​​pela King Participações, de Luiz Phillipi Mourão, funcionário de Daniel Vorcaro classificado no relatório como "sicário". Os repasses a Mourão foram feitos pelo cunhado de Daniel, Fabiano Zettel, de acordo com as investigações. 


Mensagens obtidas pela corporação mostram que Roseno cobrou Henrique Vorcaro no dia 6 de janeiro, após atrasos nos repasses. "Estou segurando uma manda de búfalo [sic]. Não me deixe a deriva, por favor [sic]", escreveu. 


Vorcaro respondeu que enviaria "imediatamente 400" para Roseno. O policial contratado respondeu que o ideal seria o envio de R$ 800 mil, argumentando que Mourão repassava apenas metade do valor combinado. 


No dia 9 de janeiro, Vorcaro disse a Roseno: "No momento que estou é que preciso de vocês". "Nos ajudemos para podermos lhe ajudar, mestre", respondeu o policial aposentado. “Recurso já chegou aí, tá faltando boa vontade [sic]”, emendou o agente de segurança. 


Ainda segundo a PF, o contador de Roseno deu orientações sobre como ocultar a origem dos depósitos da família Vorcaro. Houve sugestões para o uso de CPFs de terceiros para fracionar os valores e evitar alertas das autoridades.


A investigação cita Erlene Nonato Lacerda como suposta laranja de Roseno. Nos autos constam notas fiscais de dois pagamentos de R$ 50 mil da empresa de Vorcaro a Erlene. 


Ela também era responsável por pagar despesas particulares do policial aposentado, que mantinha padrão de vida elevada em Belo Horizonte, onde tinha um apartamento em bairro nobre e uma caminhonete Hilux. 


REPASSA UMA VAGABUNDA 


A PF afirma que as ações de Roseno nos sistemas corporativos dependem do agente da ativa Anderson Wander da Silva, atualizado no relatório como "longa manus" (expressão em latim para executor de ordens de outrem). 


Wander acessou no e-Pol, ao menos em 2023, dados de investigações contra Vorcaro, segundo o relatório. Ele também recorreu a um colega para consultar informações de um passaporte a pedido de Roseno. 


Além dos repasses mensais, Roseno acertou gratificações adicionais com o agente da ativação. "Mandar um presente pra filhota que passou no vestibular [sic]. Qual o Pix?", diz uma das mensagens. 


O relatório não especifica o montante, mas acordos um repasse via Pix enviado a Wander em 31 de dezembro de 2025. Em áudio, o agente agradeceu o valor. “O pagamento é compatível com o bônus de final de ano pago por Daniel Vorcaro e repassado ao núcleo ‘a Turma’”, aponta o documento da PF. 


Mandar um presente pra filhota que passou no vestibular [sic]. Qual é o Pix? 

policial federal contratou Anderson Wander da Silva, em repasse de dinheiro de Henrique Vorcaro para obter informações sigilosas na PF 


ATUAÇÃO DE VALÉRIA E FRANCISCO 


A delegada Valéria Vieira Pereira da Silva também realizou consultas de interesse da família Vorcaro, diz a corporação. Em fevereiro de 2024, ela acessou um inquérito sobre qual Henrique Vorcaro foi alvo no ano anterior. Os documentos foram repassados ​​a Roseno pelo marido da delegada, o agente aposentado Francisco José Pereira da Silva. 


Mensagens indicam que, após não conseguir documentos sigilosos com Wander, que tinha acesso restrito, Roseno avisou ao agente da ativa que procuraria "um colega". Menos de uma hora depois, a delegada Valéria acessou as peças do inquérito contra Henrique. No mesmo dia, 23 de fevereiro de 2024, as informações foram encaminhadas a Daniel Vorcaro. 


O relatório, no entanto, não pagamentos feitos a Valéria e Francisco. O pesquisador constatou que muitas das mensagens enviadas ao casal foram apagadas. 


SEBASTIÃO MONTEIRO JÚNIOR 


A investigação também relata encontros entre Roseno e o também policial federal Sebastião Monteiro Júnior, acusado de recrutar agentes da ativa para “a Turma”. Em áudios interceptados pela PF, os dois combinaram de falar sobre "uma ideia" em um local discreto. 

"Você sobe, mas a gente conversa lá, porque aqui tô com uma turma que pode atrapalhar (sic)", disse Roseno a Monteiro Júnior. Imagens de câmeras de segurança comprovam o encontro. g1


 
 
 

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