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Mulher de 54 anos dá à luz após embrião congelado por mais de 22 anos - Na Grécia

Foto do escritor: Vandinho
Vandinho
há 41 minutos
2 min de leitura
© Konstantinos Pantos
© Konstantinos Pantos

Uma mulher de 54 anos deu à luz uma menina nesta quarta-feira, em Atenas, na Grécia, após uma transferência de embrião que permaneceu congelado por 22 anos, cinco meses e 23 dias.


O caso é considerado pelos médicos um marco na reprodução assistida e ocorreu em meio a uma história familiar marcada por uma perda trágica.


Cristina Rapti-Tzelepi utilizou um dos embriões que haviam sido criopreservados durante seu tratamento de fertilização realizado em 2004.


Naquele mesmo ano, ela havia dado à luz um menino após a primeira transferência de embrião. O filho morreu aos 21 anos, em outubro de 2025, vítima de um acidente de trânsito.


Segundo o ginecologista Konstantinos Pantos, responsável pelo caso, a mulher decidiu utilizar os embriões que permaneciam congelados desde o tratamento anterior após a morte do filho.


O embrião utilizado no procedimento foi criopreservado em 17 de março de 2004. A transferência ocorreu em 23 de dezembro de 2025, na véspera de Natal, na clínica Genesis, em Atenas.


A menina nasceu com 39 semanas e dois dias de gestação, pesando 3.490 gramas, na maternidade Mitera.


De acordo com Pantos, o período de criopreservação supera o caso mais longo anteriormente publicado, registrado no Japão, de 18 anos e três meses.


A equipe científica da clínica afirmou que não encontrou, na literatura científica internacional revisada por pares, outro caso de gravidez e nascimento bem-sucedidos após um período tão longo de congelamento de embriões.


Procedimento ocorreu no limite da idade permitida


O tratamento precisou ser concluído dentro do limite estabelecido pela legislação grega para reprodução assistida. Na Grécia, o procedimento é permitido até os 54 anos, mediante autorização da Autoridade Nacional de Reprodução Assistida.


Para Pantos, a situação exigiu uma verdadeira corrida contra o tempo, principalmente diante da história pessoal da paciente.


O médico destacou que o caso demonstra as possibilidades proporcionadas pela criopreservação de embriões, mas também defendeu que situações excepcionais sejam avaliadas com atenção pelas autoridades.


“Quando uma mulher enfrenta uma perda pessoal tão grave, a falta de flexibilidade e os prazos apertados podem transformar um processo que já é difícil em uma exaustiva corrida contra o tempo”, avaliou o profissional.


Caso será submetido para publicação científica


Os pesquisadores da Genesis já reuniram informações clínicas e laboratoriais relacionadas ao procedimento. A intenção é submeter o caso para publicação em uma revista científica internacional.


Para o ginecologista, o nascimento representa não apenas um avanço médico, mas também uma história de superação após a perda do filho.


“O nascimento da filha de Cristina Rapti-Tzelepi constitui um avanço clínico e científico particularmente significativo. Ao mesmo tempo, é uma história de resiliência, amor e esperança, à qual nos dedicamos com absoluto respeito pela trajetória pessoal da família.”


O profissional também ressaltou a importância de conciliar as normas de segurança da reprodução assistida com a avaliação individual de cada paciente.


 
 
 

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